segunda-feira, 8 de julho de 2013

O reboot do Aquaman

[ por Francisco de Assis]

Acompanho as histórias dos principais heróis da DC desde sempre, por assim dizer. Mesmo já acostumado as infinitas crises na cronologia da editora (que se por um lado a tornan mais confusa, por outro rejuvenescem o ambiente de suas histórias, aproximando-as de um público cada vez mais jovem), a idéia do reboot me incomodou um pouco. Ainda assim, resolvi dar uma chance e arriscar a leitura de algumas séries.
O lançamento da nova linha editorial foi um sucesso comercial instantâneo, capaz de colocar a DC no primeiro lugar de vendas do segmento. Manter esse lugar no ranking, aparentemente, é uma história totalmente diferente.

Porém, enquanto 06 dos 52 títulos do reboot da DC são cancelados e substituídos, a revista do Aquaman desponta como uma ótima opção de leitura. Em um arco de histórias que parece ter sido escrito exatamente para leitores que nunca gostaram do Aquaman, agora um ex-rei que abdicou ao trono de Atlantida devido a sua natureza meio-human, que exige que o herói passe uma certa quantidade de tempo em terra firme.
Sai a Atlântida, entram as cidades costeiras norte-americanas. E com elas, as dificuldades de um herói que fala com os peixes e veste calças verdes com blusa laranja tem que enfrentar para se situar em um mundo que está conhecendo o Superman e o Lanterna Verde.


 O Aquaman só figurou entre meus heróis favoritos na infância, na época em que mal sabia ler. Mas, quando seu referencial de histórias de super-heróis ultrapassa a capacidade narrativa dos roteiristas do antigo desenho dos Superamigos, Aquaman se torna um heróis dispensável, na maioria das vezes. 
 Nem me lembro de quantas maluquices bizarras o personagem já foi vítima, nas tentativas de alavancar sua importância no universo DC e, claro, suas vendas.Muito grato em descobrir que no “reboot”, isso não ocorreu. Nada de barba, mão de arpão,armadura, mão de água nem mau humor. Geoff Johns e Ivan Reis nos presenteiam com uma nova versão do Aquaman que deixa de plagiar o príncipe Namor (da Marvel Comics) para se tornar aquele que sempre quisemos ler no gibi: o Rei dos Sete mares.  

O roteiro é simples: uma raça humanóide peixesca, que vive nas profundezas abissais dos oceanos e possui longos dentes afiados e bioluminescência, consegue chegar a superfície. Eles provam (e aprovam) o gosto da carne humana. Enquanto isso, somos apresentados a um Aquaman capaz de dar enormes saltos, esmagar lataria de carros e arremessar bandidos pelas janelas. Nada de invulnerabilidade, mas um corpo que resiste as pressões da profundidade oceânica com certeza te torna duro de matar (sic).



E ainda recusa um copo d’água oferecido pelo policial.
Como inimigo, nada do Arraia Negra ou nenhum outro supervilão de carteirinha. A ameaça a ser detida vem das profundezas e finalmente é mostrado algo do leito oceânico que não seja o talude continental ou a fossa das Marianas.


O novo Aquaman busca explorar a natureza associada ao universo do herói (densidade muscular, fauna marinha, relevo oceânico), não deturpa a essência do personagem (continua com ares de bom moço) e se desenvolve suas histórias sem aproximá-la da ficção científica hard, oferece em troca uma space ópera bem divertida. Ele faz o bem pelo bem, porque é sua natureza fazer a coisa certa. Mas não tem medo de tomar decisões difíceis.
Leitura mais que recomendada.
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