quarta-feira, 17 de julho de 2013

Mercado DC Comics – Parte 3: Panini x DC Comics – Similaridades e diferenças entre leitores aqui e lá fora

[ por Azazel Pistis ]

Em junho do ano passado recordo o entusiasmo dos editores da Panini com o lançamento das primeiras edições dos Novos 52. Várias revistas tiveram que ser reimpressas, porque a editora certamente não esperava essa receptibilidade do público.

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Quando perguntei ao editor Levi Trindade sobre vários títulos que não haviam sido publicados, ele explicou que realmente sairiam em encadernados, pois não havia lógica em lançar alguns títulos e ter estampado “OS NOVOS 52” nas capas das revista. Um dado curioso é que o editor revelou que a capa variante de Batman #01 foi ele quem escolheu, por ser uma arte do brasileiro Ivan Reis. Passados 13 meses, sentimos já o peso de tantas publicações que o mercado brasileiro não pôde suportar. Junto com o lançamento dos NOVOS 52, uma iniciativa inédita no Brasil foi feita: algumas revistas dos Novos 52 que teoricamente teriam uma menor procura de público sairiam com venda direta por Comic Shops brasileiras, no caso, nossas conhecidas Comix e Devir. As revistas Novos Titãs & Superboy, Aves de Rapina & Esquadrão Suicida, Frankenstein Agente da S.O.M.B.R.A. e Universo DC Apresenta tinham 52 páginas, papel diferenciado e preço mais caro, e mesmo com boas vendas (pelo menos pelas solicitações que obtive das comic shops gaúchas) a iniciativa não vingou, e todas as revistas foram canceladas alguns meses atrás.

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Além disso, no mês de junho, mês de lançamento das edições Zero dos Novos 52, foi cancelada a revista mensal do Flash, que fazia parte também de minha assinatura DC Premium. O Flash migrou para a revista Universo DC, que vai ter espaço aberto com revistas que foram canceladas por essa época nos EUA, e provavelmente Exterminador, que acabou na edição #20, e a mensal do Arqueiro Verde, devem ser lançadas em encadernados da Panini. O que demonstra que talvez o leitor brasileiro não tenha comprado a ideia de uma revista própria do Flash, pois nos EUA a revista vem mantendo uma boa média de vendas, em torno de 30.000 exemplares, o mesmo número de vendas do Arqueiro Verde. 

As críticas que deixo aqui é que o leitor pede por coisas novas e mesmo assim não adquiri esses produtos, e como vivemos num mundo capitalista se a revista não vende não vale a pena mandar para impressão e acaba cancelada pela detentoras do direitos. E a crítica para a editora vai no sentido de talvez não estudar com afinco as tendências do leitor brasileiro, pois vemos que ela tem lançado revistas com formato luxo que, por mais excelente que seja a história, não vai vingar em números de vendas. Aí ficamos com coleções incompletas como Starman volume 1, O Questão, entre outros, que há anos amargamos sem um lançamento sequer.

Quanto ao leitor americano, verificando as solicitações da distribuidora Diamond, vê-se que o leitor norte americano tem focado nas grandes sagas e revistas conhecidas, destoando nessa tradição as revistas Kick Ass 3 e Walking Dead. Não sei o que as editoras grandes e médias norte americanas tem planejado de market share para cada publicação, mas com tantas publicações de qualidade, o advento de mídias digitais e conhecimento prévio do leitor a tendência é o mercado ficar mais pulverizado, então não adianta pensar que a revista vai vender 100.000 exemplares que certamente vai ser cancelada. Não entendo o porque da DC Comics cancelar revistas que vendem de 10.000 a 15.000 exemplares se por exemplo as revistas da Vertigo com todos as estrelas artísticas que passaram pelo selo dificilmente passa de 15.000 exemplares vendidos. A própria Helblazer, cancelada no número #300, dificilmente vendeu mais de 12.000 exemplares por mês. Mas também no mês seguinte ao cancelamento de Hellblazer, a revista Constantine #01 chegou a 40.000 exemplares vendidos, quem sabe chegando nesse número expressivo porque as pessoas que a adquiriram tem a ideia de revenderem essa histórica edição por um bom valor no futuro.

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