domingo, 16 de dezembro de 2012

Esses Tais Gibis


 Galera, a Liga Comics, após o sucesso do nosso video "Por que você lê quadrinhos" (Link http://ligacomics.blogspot.com.br/2012/12/porque-voce-le-quadrinhos.html), vem trazer depoimentos de fãs do universo comics, sobre sua história e este universo. Fiquem a vontade de nos enviarem seus depoimentos.
Na estréia, temos o depoimento do nosso amigo Rafael Nunes ( pai do Lucas, muitas vezes visto aqui com seus cosplayers na publicação "O futuro não está perdido" Link http://ligacomics.blogspot.com.br/2012/09/o-futuro-nao-esta-perdido.html).


    Por  Rafael Nunes

   Era verão de 1990, eu tinha 9 anos de idade e estava na praia do Quintão, no litoral gaúcho, com minha mãe e meu irmão, com então 4 anos. Naquela época, a internet sequer existia e o sinal de TV no litoral não permitia a visão de muito mais que alguns chuviscos e chiados. O que fazíamos para passar o tempo quando não estávamos na beira da praia era ler alguns gibis.
    Minha mãe sempre que ia no supermercado da praia comprava alguns gibis para gastarmos nosso tempo ocioso das férias, normalmente a escolha dela era automática: uns dois ou três gibis da Turma da Mônica e a mesma quantidade de revistas da Disney. Porém certo dia eu estava com ela quando se aproximou do balcão para comprar os gibis e perguntou a atendente quais as opções, a moça do outro lado disse os títulos mais comuns e de repente largou: “Xis-Mén”. Eu nunca havia escutado aquela palavra na minha vida e sequer tinha noção que se tratava de um gibi, e ao ouví-la resolvi dar o meu pitaco nas compras de minha mãe e exclamei: “É essa que eu quero”! Minha mãe, surpresa, torceu o nariz e tentou me convencer a não levá-la, afinal eu nunca havia lido algo do tipo e os gibis infantis parecia um caminho óbvio para uma criança naquela idade. Mas bati o pé e pedi que comprasse aquele exemplar. Levei orgulhoso o gibi para casa, ansioso para chegar logo e poder devorá-lo deitado em um colchão que ficava no chão da sala e era utilizado para minhas brincadeiras. E o fiz, li a revista de cabo a rabo, e reli, e mais uma vez, e novamente, e mais umas duas ou três vezes.


    A edição era X-Men #15 da editora Abril, no interior haviam uma aventura em que os heróis enfrentam o Fanático em uma batalha desesperadora, onde Vampira tem de utilizar o poder dos demais X-Men para dar conta do recado. Fiquei extasiado e queria conhecer melhor aqueles personagens, pedi para minha mãe me levar novamente ao supermercado para comprar mais gibis, e assim foi, compramos Capitão América #128 e Novos Titãs #46 - gibis ótimos, mas o que marcou para mim mesmo foi o gibi dos X-Men.
Depois de volta à escola, ao fazer aquela famosa redação sobre minhas férias, resolvi criar uma história fantástica e relatar aquela luta grandiosa dos X-Men contra Cain Marko, porém me incluindo como alguém que estava por ali, no campo de batalha, como Uatu - o Vigia, observando e registrando cada momento.
Era um caminho sem volta, eu estava com 9 para 10 anos de idade e fascinado e hipnotizado pelas aventuras daqueles superseres. Ao conversar com alguns colegas, descobri que um deles, um garoto chamado Raul, era fã da Turma da Mônica e estava disposto a trocar as revistas de super-heróis do irmão mais velho por gibis do Cascão e cia. Juntei pilhas e pilhas de revistas da Mônica que eu tinha em casa e diariamente levava para escola afim de trocar com o Raul. Ele me entregava Superaventuras, Marvel, Heróis da TV, Capitão América, e muitos outros títulos, que eu ao chegar em casa passava horas e horas lendo e relendo.
 
    E assim, foi como eu acabei me tornando um fã destes seres fantásticos, hábito que nunca larguei e até hoje ainda devo muito aos valores ensinados pelo Capitão América e Super-Homem, pelo senso de justiça do Batman, pela gramática complexa e perfeita dos deuses de Asgard, o bom humor do Homem-Aranha, mesmo enfrentando situações de extremo estresse,e o companheirismo dos X-Men, que, assim como muitas famílias mundo afora, possuem seus desentimentos, mas logo depois dão as mãos e seguem em frente.

    Hoje, meu filho de apenas 2 anos e meio, o Lucas, já aprendeu a curtir estes personagens. Já escolheu seus favoritos e vez ou outra pede para ver as suas aventuras. Sempre procuro incentivá-lo a usar a imaginação, transportando-o a este universo fantástico, fazendo-o acreditar que é realmente amigo dos “super-heróis de verdade”, como ele mesmo diz ao ver os cosplayers nos eventos. E aqui, neste espaço, devo fazer justiça e dizer que boa parte disso devo ao pessoal da Liga Comics, que organiza estes eventos e coloca o brilho nos olhos do Lucas ao ver que os super-heróis falam com ele. É mágico e tocante ver a forma como ele fala posteriormente, citando o quão emocionado está por ser amigo do Capitão América, Batman, Coringa, Gavião Arqueiro e todo estes heróis ‘de verdade’.

   Tudo que posso desejar é que essa magia nunca acabe...

*Sobre o autor: Rafael Nunes é um ávido fã de gibis e webmaster de alguns sites do gênero como o Baú da Marvel, Superscans e Transformers Comics.
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