terça-feira, 30 de abril de 2013

Salvat lança nova linha de Graphic Novels no Brasil! Mas parece não saber como vendê-la.

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Isso mesmo, leitores  do Iluminerds, hoje vou usar esta coleção que alguns leitores já devem ter visto  para levantar uma questão chata, triste, porém necessária sobre o mercado de quadrinhos brasileiro, mas aviso que o post é bem longo, então, por favor, tenham paciência para lê-lo.

Não sei se você aí, caro leitor, que está lendo este post sabia, mas a editora Salvat, em parceria com a Panini, está trazendo ao Brasil a Marvel Graphic Novel Collection, já lançada (e ainda em andamento) no Reino Unido, Nova Zelândia e alguns outros países do Leste Europeu. Com 60 exemplares em capa dura contendo histórias de arcos fechados, em grande maioria da Era contemporânea dos quadrinhos, de 1997 para cá, há espaço na coleção para clássicos como Wolverine: Arma X, A queda de Murdock e Hulk de Peter David e A Saga da Fênix Negra.
A coleção completa vista pela lombada ainda forma uma imagem ilustrada por Gabrielle Dell’Otto, conforme visto na imagem de chamada do post. Essa ilustração inclusive já foi distribuída como pôster em outra coleção em capa dura da Panini.
A primeira edição custa R$9,90, a segunda (pelo que dizem) custará R$19,90 e da terceira em diante (PELO QUE DIZEM) sairá por R$29,90. Comparado aos valores que a Panini cobra por edições em capa dura nas bancas, não é um valor inaceitável. O próprio arco A queda de Murdock já foi lançado em livrarias custando quase o dobro do preço.
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Aliás, muitos destes volumes já foram lançados por aqui recentemente pela própria Panini, mas é uma coleção à parte, então não há do que o leitor reclamar dizendo que estão lançando “material repetido”.
Dito tudo isso, afirmo que fico satisfeito com essa notícia que já circula há mais ou menos uma semana na internet. Sempre devemos ter mais opções de quadrinhos por aqui, sempre que vou a eventos vejo diversos leitores de quadrinhos em potencial, mas que não os acompanham porque não sabem por onde começar, e arcos fechados são o melhor caminho (eu defendo a ideia que a maioria dos quadrinhos deveriam ser assim, mas isso é história para outro dia). Contudo, agora chegamos ao que me fez escrever esse post:
Temos possiveis novos leitores? Sim.
Temos material disponivel em bancas, livrarias e comic shops? Sim, mais do que nunca.
Temos editoras interessadas em publicar o material? Sim, graças às livrarias, nunca tivemos tantas opções de leitura no mercado de quadrinhos brasileiro.
Temos suficientes profissionais preparados para vender quadrinhos no Brasil? Infelizmente, não.
Para provar o que digo, basta usar como exemplo a própria coleção que ilustra este post. A coleção Marvel Graphic Novel Collection simplesmente brotou em algumas bancas brasileiras, em cidades que, ao que parece, foram escolhidas em um sorteio para receber a primeira edição da coleção, como um teste de vendas. Devem haver outras, mas até agora só tenho conhecimento das cidades de Guarulhos e Limeira (ambas de SP) e Campina Grande (PB) que receberam o primeiro número, e pior: ninguém sabia que a mesma sequer chegaria ao Brasil, só descobrimos porque algum leitor achou o primeiro volume nas bancas, postou fotos na internet e aí tomamos as primeiras informações. Vários leitores, inclusive, acharam que a coleção era alguma pegadinha, pois NEM A EDITORA tinha informações concretas sobre o produto.
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Eu mesmo liguei para a Salvat e quem me atendeu nem sabia dizer quando a coleção chegará nas bancas das capitais da região sudeste! O atendente disse que quem sabe é o distribuidor, mas peraí: uma editora paga para uma distribuidora lançar suas revistas nas bancas, e como assim você não sabe quando elas chegarão ao seu destino? Estranho isso aí.
O site da Salvat até agora sequer tem uma nota sobre a coleção, o mesmo atendente me informou que quem atualiza o site é a central da editora, que fica na Espanha, e eles nada podem fazer referente a isso.
Assim, fica difícil. Esta coleção é apenas um exemplo, mas existem vários outros que pipocam por aí que deixam o leitor perdidinho devido à falta de informações. Não se deve tratar o público interessado no produto desta forma, deixando-os à espera de algum pronunciamento sem previsão nem certeza de que isso aconteça.
Quem deve fazer o marketing do produto é a própria editora, não o leitor. Não é de nossa responsabilidade correr de blog em blog, fórum em fórum e post em post para juntar cacos que nos levem a ter informação sobre algum lançamento. Isso é trabalho da editora, eles que são pagos para isso, não nós.
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Me dá pena ver cenas que se repetem todos os anos de leitores fazendo campanhas para que outros comprem suas revistas favoritas, com medo de que elas sejam canceladas, enquanto as editoras ficam de braços cruzados esperando o clique da caixa registradora, e se a revista for cancelada, jogam a culpa nos próprios leitores!
Um exemplo recente foi o cancelamento da excelente minissérie Face Oculta, material da italiana Bonelli Editore de 14 volumes, mas que no Brasil pelas mãos da Panini teve apenas DUAS edições. Como podem pegar uma MINISSÉRIE e cancelar com apenas duas, DUAS edições?! É muita sacanagem, ainda mais sabendo que até agora, quatro meses após a segunda e derradeira edição ter ido às bancas, a Panini nem se pronunciou oficialmente confirmando o cancelamento, deixando alguns pobres leitores com esperança da edição n°3 em diante aparecer nas bancas.
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Em relação à Face Oculta, mandei a Panini ao beleléu, importei as edições originais em italiano e estou curtindo a ótima saga de Ugo Pastore. Recomendo a quem puder ter acesso ao material que o acompanhe, mas a Panini poderia ter tido mais cuidado em lançar essa revista nas bancas.  Eles mal divulgaram a revista, colocaram alguns anúncios em sites e só, meteram a revista lacrada nas bancas (que ao meu ver, também foi um erro. Leitor de quadrinho europeu está nas livrarias) e na capa nem sequer avisavam que o desenhista da primeira edição era Goran Parlov, desenhista que quem acompanha a Marvel conhece bem.
Enfim, é uma sucessão de erros que afundam um mercado com potencial para se desenvolver. Temos avanços positivos? Claro, nunca tivemos tantas graphic novels e encadernados em bancas; nas livrarias, temos até quadrinhos sérvios como opção. Isso porque nem falo do desenvolvimento da linha de quadrinhos da Turma da Mônica, que agora ataca em todas as frentes, de bancas a livrarias, de crianças a adultos. Mas vender Turma da Mônica é fácil, já faz parte da nossa cultura, mas e o resto?
Nem os jornaleiros e livrarias (salvo algumas exceções) estão preparados para receber as revistas. Os mangás, que vendem muito bem, até hoje são colocados de forma incorreta à mostra nas bancas. Muitos nem sabem quais quadrinhos eles vendem, já me ocorreu de perguntar se tinham alguma revista e me informarem que não, mas com uma procura melhor encontrei a mesma revista que nem o jornaleiro sabia da existência.
Faz algum tempo, o site Universohq levantou o mesmo assunto, e o que mais me chocou foi saber que algumas editoras sequer informam seus lançamentos ao site, que publica mensalmente um checklist com os exemplares  de cada editora, e algumas viram as costas para essa forma GRATUITA de divulgação de seu produto, aí já é demais.
Editoras do meu Brasil: Duvido que um dia cheguem a ler as palavras que depositei neste espaço, mas se um dia lerem, saibam que nenhum leitor quer o seu mal, ninguém deixa de comprar uma revista porque quer que vocês tenham prejuízo, nós leitores só queremos que vocês aprendam a vender seu material, e quando aprenderem, garantimos a vocês que alcançarão mais leitores, e não só a mesma meia dúzia de sempre, que luta para manter seus títulos nas bancas, mesmo que isso seja uma tarefa de vocês.
ATUALIZANDO: A segunda edição já foi lançada nas mesmas cidades que receberam a primeira, podem conferir na foto abaixo, já as demais cidades nem o primeiro número receberam ainda. Sério, que bagunça!!
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 Fonte: http://www.iluminerds.com.br/salvat-lanca-nova-linha-de-graphic-novels-no-brasil-mas-parece-nao-saber-como-vende-la/
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